SEU BENEFÍCIO FISCAL ESTÁ NA MIRA DO GOVERNO?

A Câmara dos Deputados deu um passo importante que pode impactar diretamente o seu planejamento tributário. Foi aprovado um projeto de lei (PLP 128/2025) que propõe uma redução de 10% em diversos benefícios fiscais federais e, ao mesmo tempo, aperta a tributação para setores como fintechs e casas de apostas (bets).

O texto ainda precisa passar pelo Senado, mas o recado é claro: a era da “concessão indiscriminada” de incentivos, como disse o relator do projeto, pode estar chegando ao fim. O objetivo do governo é tornar o sistema mais justo e eficiente, mas, na prática, isso significa que a sua empresa pode ter que arcar com uma carga tributária maior.

O que está em jogo? O impacto real no seu negócio.

De forma direta, o projeto autoriza o governo a cortar em 10% uma série de incentivos ligados aos principais tributos federais (PIS/COFINS, IRPJ, CSLL, IPI etc.). Mas, além do corte geral, alguns pontos merecem sua atenção imediata:

ÁREA DE IMPACTO O QUE MUDA NA PRÁTICA? QUEM PRECISA SE PREOCUPAR?
Lucro presumido Empresas com faturamento anual acima de R$ 5 milhões podem ter um aumento de 10% na base de cálculo do imposto. Na prática, isso significa pagar mais IRPJ e CSLL, mesmo sem aumentar o faturamento. Empresas de serviço e comércio que hoje se beneficiam do regime simplificado e estão acima dessa faixa de receita. É hora de reavaliar se o Lucro Presumido ainda é a melhor opção.
Setores específicos Programas como o PERSE (setor de eventos) e o REIQ (indústria química) estão na lista de benefícios que podem ser reduzidos. O mesmo vale para créditos presumidos de IPI e PIS/COFINS em setores como farmacêutico, agronegócio (exportação de carnes, café, cítricos) e transportes. Empresas que dependem desses regimes para manter sua competitividade e margens. O impacto no custo e no preço final pode ser significativo.
Novas regras de transparência O projeto também altera a Lei de Responsabilidade Fiscal para exigir mais transparência e controle sobre os resultados dos benefícios concedidos. A tendência é que apenas os incentivos que comprovadamente geram retorno social sejam mantidos no futuro. Todas as empresas que recebem algum tipo de benefício fiscal. A necessidade de demonstrar o retorno do incentivo será cada vez maior.

O que fazer agora? Não espere a lei ser sancionada.

  1. Mapeamento de Riscos: Identifique e quantifique todos os benefícios fiscais que sua empresa utiliza e que estão na mira do projeto. Qual seria o impacto financeiro de uma redução de 10%?
  2. Análise de Regimes Tributários: Se sua empresa está no Lucro Presumido e fatura mais de R$ 5 milhões, a hora de simular uma migração para o Lucro Real é agora. A mudança pode representar uma economia tributária relevante.
  3. Planejamento Estratégico: Reavalie seu planejamento tributário para os próximos anos. A dependência de benefícios fiscais que podem ser cortados a qualquer momento é um risco estratégico que precisa ser mitigado.

A discussão no Congresso é um sinal claro de que o cenário tributário está em constante mudança, mesmo fora da grande Reforma Tributária. Antecipar-se a esses movimentos é o que diferencia a gestão estratégica da simples conformidade.

Emanuelle Lemos

Emanuelle Lemos
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