COPY TRADING: NOVO POSICIONAMENTO DO REGULADOR BRASILEIRO
Neste mês, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou um Ofício Circular dedicado exclusivamente ao tema do copy trading, estabelecendo diretrizes claras e reforçando seu papel regulador frente a essa prática que vem ganhando espaço nos mercados brasileiro e internacional.
O copy trading permite que investidores repliquem automaticamente, em tempo real, as estratégias e operações de traders experientes. Ao democratizar o acesso a movimentações profissionais, torna o mercado potencialmente mais acessível, mas também expõe participantes a riscos muitas vezes não percebidos por aqueles com menos experiência.
As Diretrizes do Ofício Circular da CVM
A nova orientação da CVM traz pontos essenciais para o funcionamento do copy trading no Brasil:
• Definição e enquadramento: O copy trading é tratado como uma atividade profissional de análise de valores mobiliários.
• Requisitos de credenciamento: Só profissionais autorizados, com registros adequados junto à CVM, podem prestar esse serviço aos investidores.
• Ambiente simulado: Plataformas e profissionais não credenciados devem limitar-se a ambientes simulados, sem execução real de ordens para terceiros.
• Transparência e gestão de riscos: É obrigatória a divulgação dos riscos inerentes, histórico de performance e potenciais conflitos de interesse.
• Sanções: O descumprimento dessas normas pode resultar em penalidades administrativas.
Essas recomendações visam criar um ambiente de maior segurança e confiança para o investidor brasileiro, evitando práticas abusivas e conflitos de interesse.
Copy Trading e Sua Relação com Influenciadores
O fenômeno do copy trading está intrinsecamente ligado à atuação dos finfluencers (influencers financeiros) e demais influenciadores digitais. Uma das principais tendências identificadas pela IOSCO é justamente o modo como esses atores utilizam suas plataformas para compartilhar estratégias, promover plataformas de copy trading e até mesmo incentivar seguidores a replicar exatamente seus movimentos nos mercados.
Frequentemente, influenciadores mostram em tempo real suas operações ou os trades que estão copiando, criando efeito de autoridade e promovendo engajamento autêntico. Ao simplificar os riscos ou exagerar performances passadas, finfluencers podem levar seguidores a subestimar os perigos das estratégias.
Além disso, muitos influenciadores são parceiros comerciais de plataformas e recebem remuneração por indicações, o que amplia potenciais conflitos de interesse e torna essencial a transparência sobre interesses financeiros envolvidos.
A CVM e reguladores globais, como a IOSCO, têm destacado a necessidade de maior supervisão sobre esse tipo de atividade. Entre os pontos de atenção estão a qualificação dos comunicadores, a clareza das informações fornecidas e a necessidade de identificar conteúdos patrocinados ou remunerados.
A Visão do Regulador Global
A IOSCO é a principal organização internacional responsável por reunir e coordenar autoridades reguladoras dos mercados financeiros em todo o mundo. Composta por mais de 130 membros, entre reguladores nacionais e internacionais, a IOSCO desempenha papel central na promoção de padrões globais de supervisão, transparência e integridade dos mercados de valores mobiliários.
A IOSCO acompanha de perto essas novas dinâmicas de mercado e reforça a importância de regras claras para proteger investidores de varejo. Em seu relatório, enfatiza a necessidade de harmonizar regulações, garantir supervisão efetiva e exigir transparência, especialmente em ambientes digitais onde copy trading e finfluencer marketing se confundem.
Parâmetros de Comparação: Exchanges, Criptoativos e Ativos Virtuais
No universo das exchanges de criptoativos e ativos virtuais, o copy trading já se consolidou como um produto de massa, mas geralmente à margem de estrutura robusta de regulação:
• Exposição a Riscos Elevados: Falta de supervisão rigorosa amplia o risco de fraudes e manipulação de mercado.
• Dificuldade de Enforcement: Ambientes globais e descentralizados dificultam a atuação de autoridades nacionais para coibir práticas abusivas.
• Adoção de Finfluencers: Grande parte da popularização do copy trading em cripto vem justamente de campanhas digitais feitas por influenciadores do setor, muitos sem qualquer obrigação de transparência ou responsabilidade legal.
Enquanto a CVM procura se alinhar com melhores práticas internacionais, estabelecendo um ambiente de maior segurança e ética para o investidor brasileiro, o mundo dos criptoativos segue desafiando reguladores pela velocidade da inovação e pelo alcance global das plataformas.
Ao publicar seu Ofício Circular, a CVM sinaliza que o Brasil está atento não só às transformações tecnológicas, mas também à influência do marketing digital e à cultura dos finfluencers, propondo um marco que privilegie transparência, responsabilidade e proteção ao investidor.
Laércio de Morais Junior

